Que tal banir do vocabulário a expressão tsunami prateado?
01/10/2026
(Foto: Reprodução) Entenda o que é etarismo
hegamos a mais um Dia Internacional da Pessoa Idosa. Minha contribuição para marcar a data é sugerir o banimento da expressão tsunami prateado, que carrega uma forte carga negativa mas continua a ser utilizada. O envelhecimento da população não será uma onda devastadora que “engolirá” o mundo, levando-o à ruína. O planeta testemunhou um declínio notável nas taxas de natalidade, com a fertilidade caindo para o nível de reposição ou abaixo dele em praticamente todos os países industrializados e em grande parte do Leste e Sudeste Asiático. Muitas nações em desenvolvimento trilham caminho semelhante. A reboque da tendência, uma expectativa amplamente compartilhada por acadêmicos e formuladores de políticas públicas é a de que as resultantes de redução populacional somada ao envelhecimento da mão de obra desacelerariam a produtividade e o crescimento econômico.
Mão de obra sênior: uma realidade nessa nova era de vidas mais longas
Age without limits, Elliot Manches
No entanto, novos estudos do MIT e da London Business School – que abrangem sete décadas de transformação demográfica – sugerem que a tecnologia e os ganhos de produtividade compensarão os efeitos econômicos do envelhecimento populacional e da redução na proporção de trabalhadores mais jovens.
Na verdade, a diminuição dessa mão de obra tem sido acompanhada por um maior crescimento do PIB por adulto em idade ativa entre os países e até por um aumento salarial nos Estados Unidos, sem impacto negativo sobre o PIB agregado ou sobre os rendimentos. No geral, regiões com populações envelhecidas tendem a apresentar maior expansão da renda por pessoa, o que compensa o declínio relativo de trabalhadores. Isso ocorre porque o ganho no PIB individual foi grande o bastante para compensar o efeito negativo populacional. E como funciona?
Trata-se de uma resposta endógena da tecnologia (ou seja, que tem origem no próprio sistema) à escassez de braços. Trocando em miúdos: acaba ocorrendo uma adoção de tecnologias poupadoras de mão de obra que podem levar a aumentos no PIB.
As implicações são amplas, a começar pelo pessimismo alarmista que muitos têm disseminado acerca do impacto da redução das taxas de natalidade. Precisamos, sim, de reformas institucionais e políticas públicas bem planejadas que dialoguem com essa nova era de vidas mais longas. Quaisquer eventuais consequências podem ser mitigadas com foco em prevenção na área da saúde; investimento em aprendizado contínuo para os trabalhadores não serem descartados precocemente; e a criação de espaços para experiências de conexão social e intergeracionalidade.